A violência doméstica
apresenta-se como um fenômeno complexo, portanto insere uma investigação na posição
que as mulheres tiveram no contexto sócio histórico.De acordo com Pinafi
(2007), na Grécia Antiga havia muitas discrepâncias entre homens e mulheres. As
mulheres não possuíam direitos jurídicos, não recebiam educação formal, eram
impedidas de aparecer em público sozinhas, sofriam limitações em suas próprias
casas ou em um aposento particular, coisas que aos homens eram permitidas.
Em Roma “elas nunca foram
consideradas cidadãs e, portanto, não podiam exercer cargos públicos” (FUNARI,
2002 apud PINAFI, 2007, p. 1). O ato de excluir a mulher do contexto social,
político e jurídico as inseria no mesmo patamar que as crianças e os escravos.
Sua identificação como sujeito político, público e sexual lhes era negada,
tendo apenas, como função, a de procriadora.
Ainda para a mesma autora, com
o aparecimento da cultura judaico-cristã a circunstância se modificou. O
Cristianismo expôs a mulher como sendo pecadora e culpada pelo banimento humano
do paraíso, necessitando, por isso, subjugar-se à trindade da obediência, da
passividade e da submissão aos homens, — pessoas de imensa iluminação, aptas a
dominar os instintos indomáveis das mulheres — como formas de conseguir a
salvação. Assim a religião judaico-cristã foi escrevendo as condutas e a
própria ‘natureza’ das mulheres, vinculando uma consciência de culpa que
consentiu na conservação da relação de submissão e dependência. Além de ter
normatizado o sexo feminino, a religião defendeu até o século XVI a presença de
somente um corpo canônico, e este corpo era macho. Com isso, obtinha-se a visão
da vagina como um pênis interno, os lábios como o prepúcio, o útero como o
escroto e os ovários como os testículos.
A crença da mulher como um
homem invertido e, portanto, inferior, persistiu durante milhares de anos.A
ideia de sexo único predominou durante bastante tempo por ser o homem o alvo e
o construtor do conhecimento humano.
Somente a partir da Revolução
Francesa (1789 apud PINAFI, 2007, p.1), as mulheres passaram a fazer parte, de
forma ativa, do processo revolucionário, ao lado dos homens, por confiarem que
os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade seriam estendidos a sua
categoria. Ao verificar que as aquisições políticas não se aplicariam ao seu
sexo, algumas mulheres se engajaram em reivindicar seus ideais não
considerados.
No século XIX, ocorreram
grandes mudanças na sociedade, devido à consolidação do sistema capitalista. A
forma de produção afetou o trabalho feminino levando um grande número de
mulheres às fábricas. As mulheres saem do lócus que até então lhes era privado
e vão ao espaço público. Nesse contexto, elas questionam a visão de que sejam
inferiores aos homens, e se movimentam para comprovar que podem fazer as mesmas
coisas que eles, iniciando assim, a trajetória do movimento feminista.
De acordo com Casique e
Furegato (2006), esse movimento feminista, teve um marco primordial por
denunciar casos de violência contra a mulher, demonstrando uma realidade que,
aparentemente, só havia sido mencionada dentro da esfera privada da família. A
violência praticada dentro desse ambiente doméstico permanecia sem que ninguém
se manifestasse, nada era feito nem dito.
As autoras Lettiere e
Nakano (2011) abordam como a violência contra as mulheres é negada e minimizada
por uma cultura machista e sexista, entendido tal processo como algo que não
pode ser evitado. O conceito feminista promove estratégias de empoderamento,
propiciando que haja mudança nas relações entre homens e mulheres, ocasionando
transformar a linguagem, e fazendo refletir sobre as novas concepções de
imaginários sociais.
Diante a tanta evolução ao longo dos anos e com
uma grande movimentação da mídia e de campanhas governamentais chama atenção
para relevância do tema sobre violência doméstica. A violência tornou-se cada vez mais
evidenciada, tanto por haver mais denúncias, quanto pelo fato mesmo de se
encontrar cada vez mais intensificada entre os diversos grupos sociais. Para o
confronto direto com os direitos da mulher, é necessário que ela tenha
consciência do que sua presença na relação significa.
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Referência
Ribeiro,
J. G, & Silva, S. Q. (2016). Padrão
de relacionamento afetivo de mulheres que sofrem violência doméstica. Trabalho de Conclusão de Curso
(Graduação em Psicologia) - Universidade Salgado de Oliveira. Disponível em: https://www.escavador.com/sobre/395593100/jordana-garcia-ribeiro-e-steffi-queiroz-e-silva#academico
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Sobre a autora:
Steffi Queiroz e Silva: Psicóloga (CRP 09/11032) graduada pela
Universidade Salgado de Oliveira (Brasil), com formação complementar em
Técnicas de Avaliação Psicológica - Orientação Vocacional (PUC Goiás) e em
Aspectos Gerais da Sexualidade (Universo). Já atuou na área Psicossocial da
Câmara Municipal de Goiânia e no Instituto Municipal de Assistência à Saúde e
Social dos Servidores de Goiânia (IMAS). Psicoterapeuta de base psicanalítica.
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